quarta-feira, junho 12, 2024
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Onda de direita domina eleições para o Parlamento Europeu

As projeções para o resultado das eleições do Parlamento Europeu, cuja votação foi concluída nesse domingo (9), apontam para um avanço da direita na Europa, desafiando líderes das maiores potências do continente, como o presidente Emmanuel Macron, da França, e o chanceler Olaf Scholz, da Alemanha.

A superação de seu partido pela direita de Marinne Le Pen fez Macron dissolver a Assembleia Nacional e antecipar para este mês eleições legislativas que ocorreriam apenas em 2027.

Os resultados divulgados no domingo são baseados em pesquisas. Se forem confirmados na contagem oficial, a centro-direita permanecerá com o maior partido no Parlamento Europeu e dois partidos de direita aumentarão suas bancadas. Assim, a centro-direita ainda vai ter que formar uma coalizão para governar, mas as negociações e aprovação de leis vão ficar mais difíceis.

Cerca de 360 milhões de eleitores dos 27 países da União Europeia estavam aptos para participar. Eles votaram em candidatos de partidos de seus países. Eleitos, esses eurodeputados passam a integrar sete partidos supranacionais. Por isso, onda de direita é um indício de que lideranças centristas ou de centro-esquerda podem ter dificuldades de governar seus próprios países.

Na França, o presidente Emmanuel Macron dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novas eleições parlamentares antecipadas após o seu partido Renaissance receber quase metade dos votos (15,2%) em relação ao partido Reunião Nacional, de Marine Le Pen e Jordan Bardella (31,5%).

Macron afirmou que a ascensão de “nacionalistas” seria perigosa para a França e para a Europa. A nova votação foi marcada para os dias 30 de junho (primeiro turno) e 7 de julho (segundo turno), se houver.

A Assembleia Nacional francesa equivale à Câmara dos Deputados no Brasil. O objetivo de Macron é reduzir a força da direita com as novas eleições, mas a manobra é considerada ariscada e pode ter efeito contrário. Seus antecessores François Mitterrand e Jacques Chirac dissolveram o Parlamento e viram a oposição (normalmente de esquerda) ganhar espaço.

Marine Le Pen celebrou a decisão de Macron e disse que seu partido está pronto “para assumir o poder se a França confiar em nós nas eleições nacionais”.

“Essa votação histórica mostra que quando as pessoas votam, elas vencem”, afirmou.

Quem também amargou com os resultados foi o chanceler alemão Olaf Scholz ao ver que o seu partido social-democrata ficar atrás dos partidos de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e União Democrata Cristã.

Na Espanha, o Partido Popular, de centro-direita, venceu as eleições e conseguiu 22 cadeiras, duas a mais que o Partido Socialista. O Vox, de direita ficou em terceiro lugar.

Itália e Polônia

Já na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni pode respirar aliviada. Uma boca de urna da emissora pública de televisão RAI, divulgada neste domingo, diz que o partido dela, Irmãos de Itália (FDI), vencerá as eleições no país com cerca de 30% dos votos. Mais do que o resultado positivo, a votação destes últimos dias reafirmaram sua força.

Giorgia lidera um governo de coligação de direita desde 2022 e é uma das poucas líderes entre os grandes países europeus que teve um bom desempenho nas eleições europeias deste ano, segundo a BBC.

O partido Coalizão Cívica, do premiê da Polônia, Donald Tusk, de centro-direita, deve ter vantagem sobre o conservador e populista Lei e Justiça (PiS). Tusk vinha afirmando nas últimas semanas que a votação para o Parlamento Europeu pode determinar se a guerra na Ucrânia vai ou não se espalhar pela União Europeia. Partidos nacionalistas, de esquerda e direita, vêm defendendo que a Europa reduza a ajuda militar e política à Ucrânia.

A cada cinco anos os cidadãos europeus votam em partidos de seus países para compor o Parlamento Europeu que irão representá-los na União Europeia. Nesta décima edição, são cerca de 360 milhões de eleitores. No total, são sete partidos transnacionais para 27 países. As votações começaram na quinta-feira e terminam neste domingo.

Fonte: Gazeta do Povo

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