quarta-feira, junho 12, 2024
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Estadão critica tom apocalíptico de Cármen Lúcia em posse no TSE

O tom utilizado pela ministra Cármen Lúcia na posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última segunda-feira (3) desagradou o jornal O Estado de São Paulo. No editorial Cármen Lúcia e a Eleição Como Juízo Final, o periódico avaliou que a magistrada – classificada por especialistas como mais moderada que seu antecessor, Alexandre de Moraes – adotou um discurso escatológico e exaltado, demonstrando que está disposta a “tratar o TSE como um ‘tribunal da verdade’ nas próximas eleições”.

“Numa peroração exaltada, repleta de invectivas, frases de efeito e barroquismos, a ministra parece estar disposta a tratar o TSE como um tribunal da verdade nas próximas eleições. Em apenas 12 minutos, a palavra mentira foi citada 15 vezes; ódio, seis vezes; e medo, outras tantas. Só faltaram apocalipse e juízo final”, ironizou o veículo de imprensa.

Em seguida, o Estadão defendeu que a liberdade de expressão é a melhor forma de combater a desinformação e citou pesquisas empíricas para embasar sua afirmação.

“Num instante de lucidez, Cármen Lúcia notou: ‘Contra o vírus da mentira, há o remédio da liberdade de informação séria e responsável’. De fato, a liberdade de expressão não é um ônus, mas o principal ativo para combater a desinformação. Pesquisas empíricas evidenciam que os meios mais eficazes de neutralizar a desinformação são informações corretivas, como checagem de fatos, ou rotulagem, como a adição de advertências a conteúdos disputados”, argumentou.

O jornal menciona ainda mecanismos tecnológicos como os utilizados pela Wikipédia e pelo X, que recentemente adotou o recurso das “notas da comunidade”. Para o periódico, a Justiça Eleitoral deveria “incentivar esse tipo de cooperação com instituições independentes, plataformas digitais, imprensa e, sobretudo, cidadãos”.

“Mas nada remotamente parecido foi invocado no discurso da ministra. Tudo se passa como se o país vivesse numa distopia, e os cidadãos precisassem ser tutelados por um poder paternalista que age de cima para baixo, higienizando o debate público do abuso das máquinas falseadoras que nos tornam cativos do medo e da mentira espalhada pelo poderoso ecossistema das plataformas”, acrescentou.

Para o veículo, as próximas eleições serão como todas as outras, pois sempre houve “oportunistas dispostos a ludibriar” o povo. O caminho apontado pelo Estadão é “prestigiar as fontes confiáveis e cooperar com elas”.

“Países com uma imprensa diversificada e robusta são mais resilientes à desinformação. Ao invés de restringir o debate, o melhor remédio é ampliá-lo e qualificá-lo. Não faltam instituições e, sobretudo, pessoas de boa-fé dispostas a isso”, assinala.

Entretanto, o jornal observa que a tendência que o Judiciário tem demonstrado é arbitrar cada vez mais o que pode e não pode ser dito e se autoconcedeu o poder para remover conteúdos sem aval do Ministério Público.

Por fim, o texto contrasta a posição de Cármen Lúcia em 2022, quando apoiou a censura prévia de um documentário sobre o atentado a Jair Bolsonaro em 2018, com a postura da mesma ministra em 2015, ao votar a favor da publicação de biografias não autorizadas, disparando emblematicamente a frase da sabedoria popular: “o cala-boca já morreu”.

“Hoje, a desconfiança dessa mesma sabedoria parece servir de pretexto para a ministra e seus colegas conjurarem o defunto”, conclui o jornal.

Fonte: Pleno News

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