quinta-feira, julho 18, 2024
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O projeto que vai colocar 10 mil brasileiros que pensam diferente para conversar

Conectar duas pessoas que têm visões opostas sobre questões políticas e dar a elas a oportunidade de um momento de conversa. Essa é a proposta do projeto “O Brasil Fala”, inspirado na iniciativa internacional “My Country Talks” (“Meu país fala”), que já obteve ótimos resultados em diversas partes do mundo. A proposta estimula a cultura do diálogo, a tolerância e a pluralidade e, consequentemente, fortalece a democracia.

Os organizadores selecionarão 10 mil pessoas para a edição de 2024, conectando os participantes com base em seus interesses.

“É interessante que as próprias pessoas testem se realmente conseguem ter abertura e dialogar com o diferente. Muitas vezes, a gente acaba ficando nos mesmos grupos de pessoas e se expondo pouco a pessoas que pensam de forma diversa”, propõe Jamil Assis, diretor de Relações Institucionais do Sivis.

A ideia se encaixou bem com o atual cenário político do Brasil. O projeto que vai colocar 10 mil brasileiros que pensam diferente para conversar. Porém, não é apenas o número elevado que chama a atenção: houve um aumento de quase 20% entre os resultados de outubro de 2023 a fevereiro de 2024.

“Cada vez que lançamos um projeto num novo país é difícil saber o que esperar. As pessoas se interessarão pelo programa? A cultura está pronta para o diálogo? Mas temos grandes parceiros locais e uma forte rede de mídia trabalhando para criar um espaço construtivo de diálogo no Brasil”, afirmou Sara Cooper, líder técnica do My Country Talks.

Os interessados em participar do projeto devem se inscrever em um formulário disponibilizado até 14 de julho (https://www.mycountrytalks.org/events/o-brasil-fala). Se houver outro inscrito com ideias opostas compatíveis, a equipe do “O Brasil Fala” entrará em contato para agendar a conversa online entre os dois.

Cooper explica que os organizadores vão utilizar vários critérios para encontrar a combinação ideal para cada participante. “Pediremos a cada participante que partilhe alguns fatos pessoais e respostas a diversas declarações políticas. Usaremos então essas informações em um algoritmo para encontrar a correspondência certa para que cada participante tenha uma conversa interessante”, acrescenta.

No momento de troca entre os participantes, não haverá mediação entre a dupla. “Antes da conversa, vai dar para saber quem é essa pessoa com quem eu vou conversar. Esse perfil, que conterá informações sobre a pessoa e os assuntos que ela discorda, também poderá ser acessado durante todo o diálogo”, revela Assis.

Não haverá um limite de tempo estabelecido para a chamada de vídeo e os participantes poderão sair a qualquer momento. Ao final da conversa, um novo questionário será oferecido para que as pessoas relatem a experiência que viveram.

Criado em 2017, na Alemanha, o projeto ganhou cada vez mais proporção. Uma edição chamada “The World Talks” (“O mundo fala”), em 2023, reuniu pessoas de todo o mundo para discutir questões globais como direitos humanos, alterações climáticas ou simplesmente como construir um futuro melhor. O programa já passou por mais de 100 países e contou com a participação de mais de 290 mil pessoas.

“O feedback é muito positivo, 9 a cada 10 participantes afirmaram que colaborariam em uma nova edição. Mais de 80% ficaram satisfeitos com a conversa e mais de 60% disseram que manteriam contato com o parceiro”, conta Sara Cooper.

Ela também relata que 55% dos participantes se surpreenderam com o parceiro e mudaram de opinião sobre algum tópico discutido durante a conversa. “Embora não seja nosso objetivo mudar a opinião de ninguém, esse é um bom sinal da abertura e da atitude construtiva que as pessoas trazem para estas conversas”, conclui.

Fonte: Gazeta do Povo

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