quinta-feira, junho 20, 2024
Política Local

Eco: podcast da plataforma ‘Sou Amazonas’ estreia com a pergunta sobre o que tá faltando para o Estado se desenvolver

MANAUS (AM) – A Amazônia sempre esteve no centro dos debates mundiais por sua importância para o clima do planeta e por sua rica biodiversidade. O Amazonas é parte integral dessa imensidão verde e viva, detendo maior parte da floresta brasileira.

Por outro lado, todo esse potencial econômico e sustentável se contrasta com disparidades sociais latentes. Foi pensando em divulgar e incentivar o desenvolvimento aliado à preservação, a partir de serviços ecossistêmico, que foi ao ar o “Eco Podcast”, que marcou a pré-estreia da plataforma “Sou Amazonas”.

E para primeiro episódio, o empresário e engenheiro Angelus Figueira, que está à frente da iniciativa, recebeu o professor, economista e empresário Jaime Benchimol; o economista, professor e consultor Rodemarck Castello Branco; e o cacique Adriel Kokama, natural do município de Coari, formado em Direito, Pedagogia e Teologia.

“O ‘Sou Amazonas’ é questão de princípio ambiental, é compromisso com o Amazonas, a Amazônia e o Brasil. Porque não podemos apenas receber lição de países que já devastaram suas florestas. Precisamos receber pelos serviços ambientais que prestamos ao mundo e isso ficou claro com CPR Verde, dentre outras atividades”, destacou Angelus Figueira.

O debate entre os convidados foi norteado pelo recente estudo divulgado pelo Banco Mundial, que diz que a Amazônia em pé vale sete vezes mais que com suas árvores derrubadas.

O relatório mostra que a preservação do bioma pode gerar o montante de 317 bilhões de dólares por ano, o equivalente a sete vezes mais que o valor estimado da exploração de bens da agricultura extensiva, madeireira e mineração, por exemplo.

Para o empresário Jaime Benchimol esse levantamento pode se tornar um ‘divisor de águas’ no que diz respeito a novos investimentos nos potenciais bioeconômicos da Amazônia.

“É nossa obrigação buscar alternativas que tenham a ver com nossas vocações, para além dos subsídios oferecidos à Zona Franca de Manaus, mas que estejam ligadas a nossas estratégias ambientais e ao nosso futuro, como o turismo, a construção naval, mineração, aproveitamento agrícola e pecuário, manejo… temos que ampliar o feixe de iniciativas para diversificar nosso modelo econômico”, defendeu Benchimol.

O que tá faltando?

Já dentro da temática do primeiro episódio do “Eco”, o economista Rodemarck Castello Branco apontou que, além de ampliar o conhecimento – não apenas técnico, mas também empírico – sobre a Amazônia e suas matrizes econômicas, é preciso mais investimento na infraestrutra de logística da região.

Ele exemplificou a necessidade de melhorias urgentes em telefonia, portos e rodovias para viabilizar o amplo desenvolvimento da capital e dos 61 municípios do Amazonas.

“Manaus, a capital do Amazonas, figura entre as cidades com maior número de favelas do Brasil. Estamos num mundo de riqueza, que é o Amazonas e a floresta amazônica, e a população convive com a pobreza. Precisamos discutir o que queremos e estabelecer nossas estratégias de desenvolvimento dentro das nossas potencialidades”, explicou Rodemarck.

‘Queremos participação e dignidade’

Em um forte e verdadeiro depoimento sobre o que se espera do Amazonas, o cacique Adriel Kokama, que é natural do município de Coari, formado em Direito, Pedagogia e Teologia, disse que diferente do estereótipo criado sobre a população indígena, o que seus povos esperam é mais respeito, dignidade e participação.

“Sempre tomaram conta da nossa casa, do nosso espaço, e nós sucumbimos. Por que outros parentes podem criar seu gado e nós não podemos ser fazendeiros? A gente sonha em beber água na taça, mas não podemos comprar a taça. O que me faz ser menos ou mais? Preservamos a floresta e não ganhamos nada. O que queremos é participação naquilo que nos cabe, queremos respeito e dignidade ao nosso povo e nossos ancestrais”, desabafou Kokama, que é articulador e técnico de programas e projetos de desenvolvimento em política setorial indígena.

Ele citou como exemplo a questão da extração mineral e a forma exploratória como a atividade ilegal é realizada e seus resultados negativos pela falta de regulação. Ao mesmo tempo, ele disse que é a favor da atividade e de todos os benefícios que ela pode trazer, desde que feita de forma responsável e valorizando as comunidades do entorno.

“A região chamada de cabeça do cachorro’, no município de São Gabriel da Cachoeira, é riquíssima em minério. Somos filhos dessa terra e passamos por muitas necessidades, mesmo vivendo em meio a tanta riqueza. Por que não podemos crescer, ter educação, saúde, desenvolvimento, se vivemos na maior reserva do planeta?”, finalizou o cacique.

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