Durante agenda de campanha na semana passada, o candidato ao Governo do Amazonas David Almeida (Avante) e a candidata a vice-governadora, Shádia Fraxe (Avante), afirmaram que pretendem “zerar a fila da vergonha do Sisreg”, referindo-se ao sistema que regula o acesso a consultas, exames e cirurgias pelo SUS.
Em declaração posterior, Shádia, que é médica, reconheceu que novas demandas surgem diariamente no sistema, ponderação que levanta questionamentos sobre a viabilidade de uma fila permanentemente zerada.
O Sisreg (Sistema de Regulação do SUS) funciona de forma contínua: todos os dias, unidades de saúde encaminham novos pacientes para atendimento especializado, o que significa que novas solicitações entram no sistema constantemente. Por esse motivo, gestores de saúde costumam adotar como meta a redução do tempo de espera e a eliminação de filas represadas em especialidades específicas, mais do que a erradicação total e permanente da fila. A própria Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) já explicou publicamente essa dinâmica em outras ocasiões.
Isso não significa necessariamente que a meta anunciada pela chapa seja inalcançável em algum sentido prático: candidatos frequentemente usam expressões como “zerar a fila” para se referir à eliminação do estoque de demanda reprimida, mesmo sabendo que o sistema continuará recebendo novos pedidos depois. Até o momento, a campanha não detalhou publicamente se é essa a interpretação pretendida.
A repercussão ocorre poucos dias depois de outro episódio envolvendo o candidato. Durante a convenção do Avante, David Almeida afirmou que sua gestão havia asfaltado “248 mil ruas” no bairro Novo Aleixo, número muito acima do total de ruas de Manaus, estimado em cerca de 13 mil. Ele posteriormente corrigiu a informação, afirmando que o número correto era 248 ruas.

