Marcelo Ramos (PT) admitiu, nesta terça-feira (14), que ainda não sabe qual será o próximo passo na disputa eleitoral de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado afirmou que avalia manter a pré-candidatura ao Senado, disputar uma vaga na Câmara dos Deputados ou não concorrer a nenhum cargo. Segundo Ramos, uma candidatura à Câmara seria uma alternativa “muito incômoda”.
A manifestação foi feita menos de 24 horas após o senador Eduardo Braga (MDB) afirmar que Ramos havia desistido da disputa ao Senado por “questões de ordem pessoal e familiar” e passaria a integrar a coordenação nacional da campanha à reeleição do presidente Lula (PT).
Segundo Braga, a decisão teria sido comunicada durante uma reunião com a presença do senador Omar Aziz (PSD). “Essa semana o Marcelo Ramos esteve conosco, comigo e com o Omar, e disse a nós que não ia disputar a eleição de 2026. Ao mesmo tempo, iria participar da coordenação nacional da campanha do presidente Lula”, afirmou Braga.
Ainda na segunda-feira (13), Marcelo Ramos contestou a declaração. O petista afirmou que a reunião citada por Braga “não existiu” e também negou que tenha assumido a coordenação da campanha de Lula.
Já no pronunciamento divulgado nesta terça, Ramos reconheceu que a decisão sobre uma candidatura ao Senado depende da direção nacional do PT e admitiu que o cenário mudou.
“Me sobram agora poucas alternativas, insistir numa pré-candidatura ao Senado, sabendo qual é a posição da direção nacional, que é quem tem a palavra final sobre as candidaturas majoritárias nas eleições de 2026; ser candidato a deputado federal, o que para mim é muito incômodo, porque não me preparei para isso; ou, terceiro, a posição mais cômoda, inclusive para a família, que é não ser candidato a nada.”
O ex-deputado afirmou que uma eventual candidatura à Câmara Federal não fazia parte do planejamento político e disse que muitos aliados já assumiram compromissos na disputa por vagas de deputado federal.
Apesar do impasse, Ramos afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva. “Não posso simplesmente dizer que vou tocar a vida e não vou olhar para as pessoas que depositaram em mim confiança e esperança.”
Ainda de acordo com Ramos, a direção nacional do PT já havia consolidado o entendimento de que a participação na disputa poderia prejudicar a campanha do senador Braga (MDB), que busca reeleição.
“Isso faz com que eu tenha um profundo sentimento de frustração. E até certa indignação. Mas esses sentimentos precisam ser menores do que a minha responsabilidade com o projeto do presidente Lula e com o futuro do país”, declarou.


