Sem receber salário desde que deixou a Prefeitura de Manaus em abril, o pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), virou alvo de desconfiança por conta dos gastos excessivos em sua pré-campanha. Sem emprego fixo ou empresa em seu nome e fora do setor público, Almeida continua rodando o estado com uma estrutura financeira pesada. A conta não fecha para analistas políticos, que já questionam o uso de caixa dois.
Mistério financeiro fica evidente nas redes sociais. A ferramenta de transparência do Facebook revelou que a página oficial de David Almeida – que é selada e seguida por 205 mil pessoas – gastou R$ 125 mil apenas com anúncios nos últimos três meses. Como o ex-prefeito abriu mão do cargo e não tem outra renda oficial declarada, a pergunta que corre nos bastidores é uma só: quem paga a conta?
Mas o dinheiro não está indo apenas para a divulgação digital. A agenda de viagens de David Almeida para comunidades e cidades do interior do Amazonas tem sido cumprida a bordo de jatinhos particulares, transporte caríssimo e inacessível para a maioria da população. Junte-se a isso o custo para montar palcos, som e toda a estrutura dos eventos políticos que ele tem liderado. Assim como o pagamento de equipe para tocar o mais novo projeto do pré-candidato do Avante: um podcast sobre temas diversos.
Justiça na cola de David
O ex-prefeito David Almeida é alvo de investigações autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que tramitam sob sigilo. Os procedimentos apuram possíveis irregularidades relacionadas à contratação de empresas, suposto favorecimento a empresários e eventual mau uso de recursos públicos durante sua gestão. Também foram objeto de apuração denúncias relacionadas a viagens ao exterior e movimentações financeiras envolvendo familiares.
O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) instaurou uma Tomada de Contas Especial para apurar gastos e a falta de transparência na realização do festival Sou Manaus Passo a Paço 2025. O Ministério Público de Contas apontou possíveis irregularidades na execução do evento, cujo orçamento chegou a cerca de R$ 25 milhões. A auditoria busca verificar a legalidade das despesas e eventual responsabilidade dos gestores.
Pedidos de impeachment
Durante a gestão de David Almeida, vereadores da oposição protocolaram pedidos de impeachment na Câmara Municipal de Manaus, fundamentados em denúncias relacionadas à administração municipal, incluindo questionamentos sobre contratos públicos, licitações e prestação de contas de grandes eventos. As representações seguiram os trâmites previstos na Câmara, enquanto órgãos de controle continuam analisando contratos e despesas da administração municipal.


