A crise aberta entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro criou um novo elemento de pressão para a pré-campanha de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas.
A empresária construiu sua aproximação com o grupo bolsonarista tendo Michelle como uma das principais referências. Presidente nacional do PL Mulher, a ex-primeira-dama é apontada nos bastidores como uma das principais fiadoras da pré-candidatura de Maria no Amazonas.
Ao mesmo tempo, foi Flávio Bolsonaro quem recentemente referendou publicamente o nome da empresária para disputar o Governo do Estado, reforçando seu espaço dentro do partido.
O problema é que o conflito, antes tratado apenas como especulação de bastidores, tornou-se público depois que Michelle divulgou dois vídeos afirmando ter sido “apunhalada”, “humilhada” e “maltratada” por Flávio durante divergências sobre articulações políticas do PL no Ceará. (Poder360)
O episódio colocou Maria do Carmo numa posição delicada.
No primeiro vídeo, em que Michelle fala das dificuldades enfrentadas pela família Bolsonaro e critica a aproximação do PL com Ciro Gomes no Ceará, a pré-candidata amazonense manifestou apoio à ex-primeira-dama e comentou: “Coragem pra mudar! Conte conosco”.
Já no segundo vídeo, quando Michelle direcionou as críticas diretamente a Flávio Bolsonaro, Maria do Carmo preferiu não se manifestar.
O silêncio passa a ter peso político justamente porque ela mantém relação com os dois lados do conflito.
Caso a crise se prolongue, a tendência é que aumente a cobrança por um posicionamento. Qualquer movimento pode gerar desgaste. Permanecer em silêncio também.
Tudo isso acontece num momento em que a campanha de Maria do Carmo já buscava recuperar fôlego após a repercussão do caso Vorcaro, episódio que coincidiu com a perda de espaço da pré-candidata nas pesquisas eleitorais.
Agora, além do desafio de retomar sua trajetória na disputa pelo Governo do Amazonas, Maria do Carmo passa a conviver também com os efeitos de uma divisão que atinge o núcleo mais próximo da família Bolsonaro e da direção nacional do PL.


