Durante boa parte de 2024 e do início de 2025, o vereador de Manaus Sargento Salazar (PL) parecia ter encontrado a fórmula perfeita para dominar as redes sociais. Vídeos explosivos, confrontos, fiscalizações e frases de efeito transformaram seu perfil no mais comentado do Amazonas e um dos mais fortes do Brasil, chegando a aparecer na quinta colocação do ranking nacional.
Mas os números mais recentes indicam que o fenômeno digital começa a dar sinais de desgaste.
Levantamento divulgado pelo OCDR, especializado em métricas de redes sociais, mostra que Salazar já não aparece entre os 20 políticos com maior engajamento do Instagram brasileiro. No ranking anual dos 20 políticos mais influentes da plataforma, ele não aparece mais.
Enquanto nomes como Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, André Fernandes e Rodrigo Manga ampliam seu alcance, Salazar não repete os números impressionantes que o transformaram em fenômeno digital, mesmo ainda sendo muito forte digitalmente.
Desgaste
Nos primeiros meses de sua ascensão política, os vídeos de Salazar geravam repercussão espontânea, indignação popular e compartilhamentos massivos.
Hoje, parte significativa das publicações já não produz o mesmo efeito.
Analistas de comunicação política costumam observar que formatos baseados exclusivamente em denúncia, conflito e choque tendem a sofrer desgaste com o tempo. O que inicialmente gera surpresa passa a ser previsível. O que antes viralizava pela novidade passa a competir com a saturação.
Outro fenômeno observado por adversários e até por alguns antigos apoiadores é a transformação da imagem digital do vereador.
Se antes seus vídeos eram vistos principalmente como denúncias políticas, hoje muitos conteúdos acabam circulando mais pelo aspecto humorístico, pelos bordões e pela figura caricata criada nas redes.
Em vez de dominar o debate político, parte das publicações acaba sendo consumida como entretenimento.
Na prática, isso reduz a capacidade de converter visualizações em influência política efetiva.
Pesquisa
O mesmo movimento pode ser percebido nas pesquisas eleitorais. Levantamento do instituto Ipen/G6 divulgado recentemente apontou o deputado federal Amom Mandel (Republicanos) com 16% das intenções de voto para deputado federal, contra 15% de Salazar. Pela primeira vez em diversos meses, o vereador aparece atrás do principal concorrente na disputa pela Câmara Federal.
O cenário contrasta com pesquisas anteriores em que Salazar aparecia liderando a corrida eleitoral para a câmara federal.
Sinal de alerta
É cedo para decretar o fim da força política de Salazar. Ele continua sendo um dos nomes mais conhecidos da direita amazonense e mantém uma base fiel de seguidores.
Mas os números sugerem algo difícil de ignorar: o vereador já não domina as redes como dominava há alguns meses.
No ambiente digital, onde a atenção é o ativo mais valioso, a maior ameaça não é a rejeição. É a repetição.
E os rankings mais recentes indicam que a fórmula que transformou Salazar em fenômeno pode já não provocar o mesmo impacto de antes.


